Quem busca remédio convulsão quase sempre está em uma de duas situações: acabou de presenciar uma crise e quer saber o que fazer, ou recebeu o diagnóstico e quer entender o tratamento. Durante a crise, nenhum remédio deve ser dado pela boca: o que ajuda é proteger a pessoa, marcar o tempo e saber quando chamar o resgate. O tratamento com medicamentos vem depois, e só faz sentido com diagnóstico definido.
Abaixo estão as duas partes: os primeiros socorros, com o que fazer e o que nunca fazer, e depois como funciona o tratamento, incluindo por que uma convulsão isolada nem sempre significa epilepsia.
O que fazer durante uma convulsão
A crise convulsiva mais conhecida é a tônico-clônica: a pessoa perde a consciência, o corpo enrijece e depois surgem abalos rítmicos de braços e pernas. Pode haver salivação, lábios arroxeados e perda de urina. A maioria das crises para sozinha em poucos minutos. O objetivo de quem ajuda é evitar que a pessoa se machuque nesse intervalo.
- Mantenha a calma e olhe o relógio. Saber quanto tempo a crise durou é uma das informações mais úteis para a equipe de saúde.
- Afaste objetos. Retire do caminho móveis, objetos duros ou cortantes e afaste a pessoa de escadas, água ou fogo.
- Proteja a cabeça. Coloque algo macio por baixo, como um casaco dobrado ou uma almofada.
- Afrouxe o que aperta. Gravata, colarinho, cinto e acessórios no pescoço.
- Vire de lado assim que possível. Quando os abalos diminuírem, coloque a pessoa deitada de lado, para que a saliva escorra e a respiração fique livre.
- Fique junto até a recuperação. Depois da crise é comum sonolência e confusão por algum tempo. Fale com calma e explique o que aconteceu.
Crises que não parecem convulsão
Nem toda crise tem abalos. Algumas se manifestam como olhar parado, movimentos repetitivos de boca ou mãos, fala sem sentido ou comportamento automático, sem que a pessoa responda. Nesses casos, a conduta é a mesma: proteger de riscos, não conter à força, marcar o tempo e acompanhar até a recuperação.
O que nunca fazer e quando chamar o resgate
Algumas atitudes populares são perigosas e devem ser evitadas. A tabela reúne o que não fazer e as situações em que é preciso ligar para o SAMU, no 192.
| Nunca faça | Por quê | Chame o resgate (192) se |
|---|---|---|
| Colocar o dedo, pano ou objeto na boca | A pessoa não engole a língua; o objeto pode quebrar dentes, ferir ou obstruir a respiração, e quem ajuda pode ser mordido | A crise durar mais de cinco minutos |
| Segurar os braços e as pernas com força | Conter os movimentos não interrompe a crise e pode causar lesões | Uma crise vier seguida de outra sem que a pessoa recupere a consciência |
| Dar água, comida ou remédio pela boca | Com a consciência alterada, há risco de engasgo e aspiração para o pulmão | For a primeira crise da vida da pessoa |
| Jogar água no rosto ou tentar acordar à força | Não abrevia a crise e aumenta a agitação na recuperação | Houver dificuldade para respirar ou a pessoa não acordar depois |
| Deixar a pessoa sozinha logo após a crise | A confusão pós-crise pode levar a quedas e acidentes | A crise acontecer na água, houver ferimento, gestação, diabetes ou febre alta |
Se a pessoa já tem diagnóstico de epilepsia e a crise seguiu o padrão habitual, com recuperação completa, a família pode ter recebido do médico um plano próprio. Na dúvida, ligue para o 192 e descreva a situação: a central orienta se é necessário enviar equipe.
Convulsão isolada nem sempre é epilepsia
Ter uma convulsão não significa, automaticamente, ter epilepsia. Muitas crises são provocadas por uma causa identificável e temporária. Quando essa causa é corrigida, as crises podem não voltar. Entre as situações que podem provocar uma convulsão estão:
- Febre alta em crianças pequenas, nas chamadas crises febris.
- Queda importante da glicose no sangue ou alterações do sódio e de outros sais.
- Abstinência de álcool ou de alguns medicamentos, e uso de certas drogas.
- Trauma na cabeça, infecções do sistema nervoso e AVC na fase aguda.
- Privação intensa de sono, que pode facilitar crises em quem tem predisposição.
Também existem quadros que imitam convulsão, como desmaios com alguns abalos musculares e crises de origem não epiléptica. A epilepsia, por definição, envolve tendência a ter crises que se repetem sem um fator provocador imediato. Esse diagnóstico é feito pelo neurologista com base na descrição detalhada do episódio, em exames como o eletroencefalograma e em exames de imagem do cérebro. Para entender melhor o conceito, veja o que é epilepsia e o que causa epilepsia.
Por que a descrição de quem viu é tão importante
Quem teve a crise geralmente não lembra do que aconteceu. Por isso, o relato de quem presenciou é decisivo: como começou, se houve aviso, para que lado os olhos ou a cabeça viraram, quanto durou e como foi a recuperação. Se for seguro, gravar um vídeo curto da crise pode ajudar muito na consulta.
Remédio para convulsão: como é o tratamento
O tratamento depende do que causou a crise. Em uma crise provocada, o foco é corrigir a causa, como tratar a infecção, ajustar a glicose ou os sais. Nem toda primeira crise leva ao início imediato de medicação contínua: a decisão considera o risco de novas crises, os exames e a situação de vida de cada pessoa.
Quando há diagnóstico de epilepsia, o tratamento costuma ser feito com medicamentos anticrise, também chamados de antiepilépticos ou anticonvulsivantes. Eles não curam a causa, mas reduzem a excitabilidade dos neurônios para diminuir a chance de novas crises. Existem diferentes classes, que agem por mecanismos como a modulação de canais de sódio e de cálcio, o reforço do efeito inibitório do neurotransmissor GABA e a redução da ação de neurotransmissores excitatórios.
A escolha do medicamento leva em conta o tipo de crise e de epilepsia, a idade, outras doenças, a possibilidade de gravidez, as interações com outros remédios e os efeitos adversos possíveis, como sonolência, tontura, alterações de humor e reações de pele. Por isso o remédio é sempre prescrito e ajustado individualmente, e nunca deve ser iniciado, trocado ou suspenso por conta própria: a interrupção abrupta pode desencadear crises. O funcionamento dessas classes está detalhado em medicamento para epilepsia: como funciona o tratamento.
No hospital, crises prolongadas são tratadas com medicamentos de ação rápida aplicados pela equipe, por via adequada e com monitoramento. Em pessoas com epilepsia de difícil controle, outras opções podem ser avaliadas, como dieta específica supervisionada, cirurgia ou estimulação nervosa. As perspectivas de controle estão em epilepsia tem cura.
Pontos-chave
- Durante a crise, não se dá remédio pela boca: proteja a cabeça, afaste objetos, marque o tempo e vire de lado quando possível.
- Nunca coloque nada na boca da pessoa nem segure os movimentos à força.
- Crise acima de cinco minutos, crises seguidas, primeira crise ou dificuldade para respirar pedem o 192.
- Uma convulsão isolada pode ter causa provocada e nem sempre significa epilepsia.
- Medicamentos anticrise são escolhidos e ajustados individualmente e não devem ser suspensos por conta própria.
Leia também
- O que é isquemia: entenda o conceito e por que tempo é tecido
- O que é um AVC isquêmico: explicação simples, tipos e sinais
- Sintomas de enxaqueca forte e quando procurar ajuda
Perguntas frequentes
Existe remédio para tomar na hora da convulsão?
Fora do ambiente de saúde, não se deve dar nada pela boca durante a crise. Em alguns casos de epilepsia, o médico prescreve um medicamento de resgate com instruções específicas para a família, mas isso é individual e depende de orientação prévia.
A pessoa pode engolir a língua durante a convulsão?
Não. Esse é um mito que leva a atitudes perigosas, como colocar dedos ou objetos na boca. Virar a pessoa de lado é o que ajuda a manter a respiração livre.
Depois de uma primeira convulsão, vou precisar de remédio para sempre?
Não necessariamente. Muitas pessoas com uma primeira crise não iniciam medicação contínua, e quem inicia pode, em alguns casos, reduzir ou suspender após um período sem crises, sempre por decisão médica.
Quem teve convulsão pode dirigir?
Existem restrições legais e de segurança para quem teve crise recente. A liberação depende do tempo sem crises e da avaliação médica, e deve ser discutida na consulta.
Quando procurar um neurologista?
Depois de qualquer primeira crise, mesmo que a pessoa tenha se recuperado bem, e sempre que as crises mudarem de padrão ou de frequência. Em Conselheiro Lafaiete e região, a Dra. Laryssa Moreira, neurologista, realiza essa avaliação. Diagnóstico e conduta dependem de consulta presencial.