O que é um AVC isquêmico? É quando uma artéria que leva sangue ao cérebro fica entupida e uma parte do cérebro deixa de receber oxigênio. Sem esse abastecimento, as células daquela região começam a sofrer em minutos, e por isso o AVC isquêmico é uma emergência em que cada minuto conta.
A explicação abaixo usa linguagem simples, para quem não é da área da saúde: o que acontece dentro da cabeça, os três tipos principais, como reconhecer os sinais e o que fazer enquanto o socorro não chega.
O que é um AVC isquêmico, explicado de forma simples
Pense no cérebro como uma cidade abastecida por uma rede de canos. Cada cano, que é uma artéria, leva sangue para um bairro. Se um cano entope, o bairro fica sem água. No cérebro, o “bairro” sem sangue é a área responsável por alguma função: mover um braço, falar, enxergar, manter o equilíbrio. É por isso que os sintomas do AVC dependem do local afetado.
AVC significa acidente vascular cerebral. Existem dois grandes grupos. No isquêmico, o problema é o entupimento. No hemorrágico, um vaso se rompe e o sangue extravasa. O isquêmico é o mais comum. A comparação completa entre os dois está em AVC isquêmico e hemorrágico: qual a diferença.
Por que o tempo é tão importante
Quando a artéria entope, forma-se no cérebro uma área central que sofre lesão rapidamente e, ao redor dela, uma região que está em risco, mas ainda pode ser salva se o sangue voltar a circular. O tratamento de urgência tem como objetivo justamente proteger essa região. Quanto mais cedo ele começa, maior a chance de preservar tecido cerebral. Depois de algumas horas, as opções diminuem.
Os tipos de AVC isquêmico: trombótico, embólico e lacunar
Nem todo entupimento acontece do mesmo jeito. A forma como a artéria é bloqueada ajuda o médico a entender a causa e a planejar a prevenção de um novo episódio. A tabela resume os três tipos principais.
| Tipo | Como acontece | Explicação simples | Causas associadas |
|---|---|---|---|
| Trombótico | Um coágulo se forma no próprio local, sobre uma placa de gordura na parede da artéria | O cano vai ficando estreito com sujeira até entupir de vez | Aterosclerose, pressão alta, colesterol alto, diabetes, tabagismo |
| Embólico | Um coágulo se forma em outro lugar, geralmente no coração ou em grandes artérias do pescoço, e viaja até o cérebro | Um pedaço de sujeira se solta lá na frente e trava num cano menor | Arritmias como a fibrilação atrial, doenças das válvulas cardíacas, placas nas carótidas |
| Lacunar | Entupimento de uma artéria muito pequena e profunda do cérebro | Um cano fino da rede interna entope e afeta uma área pequena | Principalmente pressão alta e diabetes de longa data |
Em uma parte dos casos, mesmo depois de investigação completa, a causa exata não é identificada. Há ainda causas menos comuns, como dissecção de artérias do pescoço e alterações da coagulação, que costumam ser investigadas especialmente em pessoas mais jovens. O detalhamento das causas e das formas de tratamento está em AVC isquêmico: causas e tratamento.
O “mini AVC” faz parte dessa história
Às vezes o entupimento é passageiro e os sintomas desaparecem sozinhos. Isso é o ataque isquêmico transitório, que funciona como um aviso: o risco de um AVC nos dias seguintes é real. Mesmo que tudo tenha voltado ao normal, a orientação é procurar atendimento de urgência. Entenda melhor em isquemia transitória: o aviso que antecede o AVC.
Protocolo de reconhecimento rápido: como identificar um AVC
Os sinais do AVC isquêmico aparecem de forma súbita. A pessoa estava bem e, de repente, algo muda. Existe um teste simples, que qualquer pessoa pode aplicar, baseado em três checagens e uma ação:
- Rosto: peça para a pessoa sorrir. Observe se um lado da boca fica caído ou se o sorriso está torto.
- Braços: peça para levantar os dois braços ao mesmo tempo e mantê-los erguidos. Observe se um deles cai ou não sobe.
- Fala: peça para repetir uma frase simples. Observe se a fala sai enrolada, sem sentido ou se a pessoa não consegue falar.
- Tempo: se qualquer um desses sinais estiver presente, ligue imediatamente para o SAMU, no 192, e anote o horário em que os sintomas começaram.
Outros sinais súbitos também podem indicar AVC: perda de visão em um ou nos dois olhos, visão dupla, tontura intensa com perda de equilíbrio, dificuldade para andar, formigamento ou dormência em um lado do corpo e confusão mental. Para reconhecer as formas mais discretas, veja sintomas de AVC leve.
O que fazer enquanto o socorro não chega
- Mantenha a pessoa deitada ou sentada em posição confortável e segura.
- Não ofereça comida, água ou remédio, porque a deglutição pode estar comprometida.
- Não espere os sintomas “passarem” para decidir pedir ajuda.
- Separe documentos e a lista de medicamentos em uso, se possível.
- Informe à equipe o horário exato do início dos sintomas ou a última vez em que a pessoa foi vista bem.
O horário é decisivo, porque define quais tratamentos de urgência podem ser considerados. Dar remédio para pressão ou ácido acetilsalicílico por conta própria pode ser perigoso, já que só exames de imagem diferenciam um AVC isquêmico de um hemorrágico.
O que acontece no hospital e depois
No atendimento de urgência, a primeira etapa é um exame de imagem do cérebro, normalmente tomografia, para confirmar que não há sangramento. Confirmado o AVC isquêmico, a equipe avalia se a pessoa pode receber tratamentos para reabrir a artéria, seja com medicamento que dissolve o coágulo, seja com procedimento para retirá-lo por cateter. A indicação depende do tempo desde o início, da gravidade e de outras condições de saúde.
Passada a fase aguda, começa a investigação da causa e a prevenção de um novo AVC, com controle de pressão, colesterol, diabetes, ritmo cardíaco e hábitos. A recuperação varia muito de pessoa para pessoa e não há como prever o resultado com certeza. As possibilidades de reabilitação estão em AVC isquêmico: sequelas e recuperação, e as medidas de prevenção em como evitar AVC.
Pontos-chave
- O AVC isquêmico acontece quando uma artéria do cérebro entope e uma área fica sem sangue e oxigênio.
- Os três tipos principais são o trombótico, o embólico e o lacunar, com causas e formas de prevenção diferentes.
- Rosto torto, braço que cai e fala alterada, de forma súbita, são motivo para ligar 192 na hora.
- Anotar o horário de início dos sintomas é uma das informações mais importantes para a equipe de urgência.
- Sintomas que somem sozinhos também exigem atendimento, porque podem anunciar um AVC.
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Perguntas frequentes
AVC isquêmico é o mesmo que derrame?
“Derrame” é o nome popular usado para qualquer AVC. Tecnicamente, o termo combina melhor com o hemorrágico, em que há sangramento, mas no dia a dia as pessoas usam a palavra para os dois tipos.
AVC isquêmico dá dor de cabeça?
Pode dar, mas com frequência não dá. Muitas pessoas têm um AVC isquêmico sem dor alguma, e esperar a dor para buscar ajuda é um erro comum. Dor de cabeça súbita e muito intensa, a pior da vida, sugere outras causas graves e também exige urgência.
Jovens podem ter AVC isquêmico?
Sim. É menos comum, mas acontece, e nesses casos a investigação costuma incluir causas como alterações do coração, dissecção de artérias do pescoço e problemas de coagulação.
Quem já teve um AVC isquêmico pode ter outro?
O risco de um novo episódio existe, e é por isso que a prevenção secundária, com controle dos fatores de risco e tratamento da causa identificada, é tão importante. O acompanhamento é contínuo e individual.
Quando procurar um neurologista?
Na suspeita de AVC em curso, o lugar é a emergência, pelo 192. Depois da alta, ou quando há dúvidas sobre sintomas passados e fatores de risco, o acompanhamento ambulatorial é indicado. Em Conselheiro Lafaiete e região, a Dra. Laryssa Moreira, neurologista, realiza essa avaliação. Diagnóstico e conduta dependem de consulta presencial.